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Defensoria Pública do Estado do Tocantins
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Uma história de recomeço e a busca por um final feliz

DPE/Porto Nacional

O alcoolismo envolve uma larga extensão de problemas comportamentais que podem interferir na família, no trabalho e na comunidade. O que se vê, na maioria dos casos, é que o doente nega, a família esconde e a sociedade rejeita. Porém, um caso em Porto Nacional mostrou que, quando se decide estender a mão àqueles que a sociedade vira as costas, a história pode ter um final diferente.

Assistido da DPE-TO – Defensoria Pública do Estado do Tocantins em Porto Nacional, J. T. é alcoólatra, tem 48 anos, cinco filhos e tem encarado um submundo de rejeição da família e sociedade desde os primeiros goles, aos 20 anos de idade. Ele lembra que uma das principais perdas desde então foi a relação com os seus familiares, pois a sua esposa o deixou há 10 anos por causa dos problemas dele com o álcool e J.T. se diz “envergonhado” no relacionamento com os filhos adolescentes e, por isso, quando bebe fica de dois a três dias sem ir em casa.

Porém, há cerca de uma semana ele decidiu mudar o curso da sua história. Foi quando J.T. procurou a regional Defensoria Pública em Porto Nacional em busca de tratamento. De acordo com a pedagoga da regional de Porto Nacional, Faraildes Miranda, o Assistido foi atendido pela equipe multidisciplinar com escuta, acolhimento, providência da documentação pessoal, realização de exame médico e odontológico, organização e aquisição de cesta básica, produto de higienização pessoal e vestimentas. “Toda a equipe se envolveu, ouvindo as suas necessidades, providenciando documentação, levando ele ao salão de cabeleireiro, providenciando roupas e o encaminhando à Casa de Recuperação Resgatando Vidas - Maanaim para tratamento”, explica Faraildes.

 

Família

Segundo ela, uma das principais motivações de J.T. é a reaproximação com a família. “Ele foi desamparado pela mulher e os filhos em decorrência do álcool e quer voltar a ter uma boa relação, principalmente com os filhos de 12, 13, 14 e 15 anos”, ressalta, acrescentando que o tratamento de J.T. será custeado por um de seus irmãos, após contato da Defensoria Pública.

Para incentivar essa “reaproximação”, a psicóloga da DPE-TO em Porto Nacional, Nair Mendes de Godoi lembra que, após encaminhar o Assistido à Casa de Recuperação, a equipe multidisciplinar realizou visita à residência da família para prestar orientações de como realizar o acompanhamento durante os dez meses de tratamento. “Esta atenção faz-se necessária, uma vez que, tanto o dependente quanto a família encontram-se fragilizados e, às vezes, sem mecanismo de enfrentamento da situação acarretada pelo vício”, destaca Nair.

Para a pedagoga Faraildes Miranda a sensação é de “dever cumprido”. “Organizar toda a documentação necessária para internação foi muito trabalhoso, tivemos que iniciar pelos documentos pessoais. Porém, o mais gratificante foi ver o brilho no olhar e a vontade de vencer o vício. Fui para casa com a sensação de dever cumprido”, conclui.

 

 Texto: Cinthia Abreu

DPE/Porto Nacional
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