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Defensoria Pública do Estado do Tocantins
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Projeto de Lei obriga presença de defensor público em blitz

Detalhe da sede de atendimentos da Defensoria Pública, em Palmas, em abril de 2026
Detalhe da sede de atendimentos da Defensoria Pública, em Palmas, em abril de 2026 — DPE-TO
As blitze de trânsito podem ganhar um reforço a favor do motorista. Além de policiais e agentes de trânsito, defensores públicos podem ser obrigados a participarem dessas fiscalizações. Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados garante a presença desses profissionais em blitze realizadas por órgãos de segurança pública ou pelas Forças Armadas, em ruas e rodovias. O objetivo é evitar o abuso de autoridade nessas fiscalizações por parte dos agentes dos órgãos de segurança.

O PL nº 6793/2010, do deputado Edigar Mão Branca (PV-BA), determina que as barreiras instaladas pelos órgãos de segurança pública ou pelas Forças Armadas, em vias de trânsito terrestre, contarão com o acompanhamento de um defensor público da unidade da federação em que se localizar a via. O autor afirmou que existem muitas queixas contra o abuso de autoridade cometido por agentes que interrompem o trânsito de veículos, extrapolando o poder de polícia que lhes foi conferido pelo Estado. “Há relatos de extorsão e de intimidação de pessoas inocentes. É um momento em que os agentes fragilizam o cidadão e agem exatamente contra o bem que deveriam preservar: a segurança pública”, disse o parlamentar.

Para o presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep), André Castro, o projeto tem o mérito de identificar o defensor público como agente garantidor das liberdades individuais dos cidadãos. Ele, no entanto, acredita que a viabilidade do projeto seja um tanto complexa. “O número de defensores públicos no Brasil precisa ser ampliado, assim como as condições de trabalho, para melhor atender à população. Diante desse quadro, acreditamos ser importante deixar a própria Defensoria Pública avaliar, caso a caso, as prioridades de atuação dos defensores para assegurar ao máximo a prestação do serviço de assistência jurídica a toda a população carente”, ponderou.

O presidente da Anadep analisou a proposta e acredita que Congresso Nacional saberá dar o melhor encaminhamento para a matéria, “inclusive levando em consideração a autonomia da Defensoria Pública e a necessidade de se deixar à administração a tarefa de eleger as prioridades de atendimento à população”.

Procurado pelo jornal Coletivo, o Batalhão de Polícia de Trânsito do Distrito federal (BPTrans) informou à reportagem que não há relatos de abuso de autoridade aos motoristas por parte do contingente. O BPTrans disse ainda que somente deve se posicionar sobre o tema após a aprovação do PL nº 6793/2010.

O PL nº 6793/2010 tramita em caráter conclusivo (rito de tramitação pelo qual não precisa ser votado pelo Plenário, mas apenas pelas comissões designadas para analisá-lo). A proposta perderá esse caráter em duas situações: se houver parecer divergente entre as comissões, ou seja, rejeição por uma e aprovação por outra, ou no caso, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados, 10% do total. Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário sendo analisado pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

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