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Defensoria Pública do Estado do Tocantins
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Defensora Pública realiza mutirão de identificação em unidade penal do interior

Detalhe da sede de atendimentos da Defensoria Pública, em Palmas, em abril de 2026
Detalhe da sede de atendimentos da Defensoria Pública, em Palmas, em abril de 2026 — DPE-TO
Uma pesquisa do Conselho Nacional de Justiça revela que mais de 90% dos presidiários brasileiros têm acompanhamento jurídico exclusivo da Defensoria Pública. No Centro de Prisão Provisória de Dianópolis – CPP, a realidade não é diferente. Até meados de dezembro, a unidade abrigava cerca de 70 presos, entre condenados e provisórios. O difícil é encontrar algum preso assistido por um advogado particular.


Engajada na melhoria das condições carcerárias da unidade penal, Elisa Maria Pinto começou o ano de 2010 colocando em prática alguns projetos. A primeira ação já está sendo desenvolvida esta semana com a realização do Mutirão de Identificação na Casa de Prisão Provisória. “Posso dizer que cerca de 90% dos presos não têm nenhum documento de identificação. Essa é uma forma de fazê-los se sentirem pelo menos cidadãos de verdade, já que são excluídos da sociedade”, afirmou a Defensora Pública.


Em contato com a tabeliã do cartório de registro civil da cidade, a Defensora Pública conseguiu a emissão gratuita da 2ª via das Certidões de Nascimento dos presos e recolhidos na CPP, ou mesmo a 1ª via daqueles que não possuem o documento. Também gratuitamente, coube a Delegacia Regional da cidade o fornecimento da carteira de identidade, sendo cobrado apenas o valor de R$ 3,00 (três reais) relativo às fotos 3x4, indispensável para a confecção do documento.


O próximo mutirão a ser organizado pela Defensora é de limpeza na CCP, pois segundo ela, o ambiente é desagradável. A intenção é tentar humaniza-lo com pinturas novas nas celas, trabalho extra que vai contar também para a remissão da pena deles.

Com a atuação da defensora pública Elisa Maria Pinto, a execução penal tem sido motivo de elogio por parte da comunidade carcerária do Centro de Prisão Provisória. Duas vezes por semana, a Defensora Pública tem como compromisso a visita na unidade prisional. Elisa conhece por nome cada detento e sabe da situação penal de todos, sem necessidade de recorrer ao processo.

 
Segundo o diretor do presídio, os reeducandos se sentem mais amparados com a presença de um Defensor. “O que nos dá problema é a falta de informações sobre o andamento da execução. E com a Defensora constantemente aqui, eles ficam mais tranquilos e menos ansiosos”, declarou o diretor da CPP, Átila Lima.


Recentemente, ao ouvir boatos sobre a possível remoção da defensora pública Elisa Maria, os próprios presos encabeçaram um abaixo assinado na tentativa de sensibilizá-la. “Estou há alguns anos preso, e ninguém nunca fez o que ela faz por nós. Eu não falo só por mim, mas por todos aqui”, disse Rafael Aires, 28 anos, condenado a três anos de prisão por furto.


A estruturação da execução penal também será outra reivindicação da Defensora Pública. De acordo com ela, na Comarca não existe unidade de internação para mulheres e nem local apropriado para receber pessoas com deficiência mental, que necessitam de prisão e tratamento médico especializado.



Defensora Pública realiza mutirão de identificação em unidade penal do interior | DPE-TO