De ponto em ponto construindo um novo amanhã

No começo as mãos não conheciam muito bem como lidar com linhas, agulhas e tramas. Agora é bem diferente, a agilidade substituiu os erros, e assim as reeducandas da Unidade Prisional de Palmas vão fazendo uma infinidade de peças, aprendendo uma atividade e tendo a possibilidade de escrever um futuro bem diferente, longe das grades e da reclusão.
No Sistema Carcerário Tocantinense, segundo dados de abril de 2013 da Secretaria de Defesa Social do Tocantins, em todo o Estado são 141 reeducandas entre regimes fechado, semiaberto e provisório. Só em Palmas são 60 presas e desse total 90% trabalham com artesanato.
Diante de uma grande produção e a intenção de proporcionar a reinserção social, a defensora pública Maurina Jácome, com a ajuda da assistente social Simone Martins, idealizou o Bazar Três Pontos, numa referência a trabalho, liberdade e geração de renda, que está sendo realizado nesta quinta, 6, e sexta-feira, 7, na sede da Defensoria Pública em Palmas.
Três reeducandas, escolhidas entre as 60 que estão na Unidade Prisional de Palmas, estão fazendo a apresentação e comercialização de tapetes variados, almofadas, fivelas e peso para porta. Sebastiana Gama de Sousa é um delas. A reeducanda cumpre pena de 15 anos por tráfico de drogas e há cinco anos confecciona tapetes de crochê, trabalho este que resultou na redução de um ano e oito meses da sua pena. “Fico muito feliz de poder fazer artesanato, mostrar para as pessoas este trabalho, ocupar minha mente e buscar um novo futuro e o dinheiro destas peças nos ajuda muito”.
A coordenadora de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria Estadual de Educação e Cultura, Adelaide Gomes de Araújo, foi um das primeiras a visitar o Bazar e se encantou com os tapetes, além de comprar uma peça, ainda retornou a Defensoria Pública com outras duas colegas de trabalho para adquirir mais produtos.
A primeira dama de Palmas, Glô Amastha e a secretária de desenvolvimento social, Maria Luiza Felizola Gomes, também prestigiaram o Bazar. Conversaram com as reeducandas, conheceram a história de cada uma delas, como fazem as peças, a realidade e dificuldades que encontram por estar presas. “Como mulher, avalio que o mais importante para essas pessoas é ter um horizonte depois que cumprir a pena. Elas precisam de formação, qualificação, educação e oportunidades. Se não tiver perspectivas para que vai servir ficar tanto tempo presa? Só como punição e estigma? Esse Bazar é uma grande oportunidade e espero poder contribuir com ações que visem a perspectiva de um futuro melhor”, comentou Glô Amastha.
A secretária de desenvolvimento social de Palmas, Maria Luiza Felizola Gomes, contou que o processo que a Defensoria Pública está realizando pelo direito de recomeçar casa com as ações da Pasta que dirige. “Queremos a partir do que está sendo feito aqui atender as famílias dos reeducandos, proporcionar uma linha de crédito, ou seja, acreditar no potencial dessas pessoas, na possibilidade de escoar a produção, compra de material e até mesmo inserir esse pessoal no nosso calendário de eventos, onde a produção poderia ser comercializada. Temos que dar oportunidade, buscar parcerias e mudar realidades”.
O Bazar Três Pontos continua até essa sexta-feira, 7, das 8h às 17h.
Autora: Alessandra Bacelar
