Ambulantes da rodoviária em Araguaína são atendidos na Defensoria após notificação da Prefeitura
Autor(a): Keliane Vale

Ambulantes que trabalham nas imediações da rodoviária de Araguaína compareceram à Defensoria Pública nesta quinta-feira, 27, para buscar orientação quanto à notificação emitida pelo Departamento de Posturas e Edificações da Prefeitura Municipal para desocuparem área em que expõem ou circulam com produtos de pequeno valor monetário como picolé, milho assado, laranjas descascadas e redes de tecido.
O coordenador do NUAmac - Núcleo Aplicado de Minorias e Ações Coletivas da DPE-TO - Defensoria Pública do Estado do Tocantins, em Araguaína, defensor Sandro Ferreira, atendeu aos ambulantes. Como resultado do atendimento, a DPE-TO vai recomendar que haja delimitação de novas áreas públicas no município para atender aos ambulantes e que o tema seja discutido em audiência pública. Para o Defensor Público, a Prefeitura ao emitir as notificações deve oportunizar a conciliação e ofertar outros espaços, conforme a demanda.
Segundo os reclamantes, alguns atuam há mais de 30 anos com o comércio desses produtos. O ambulante de carrinho de picolé, Silvano Faria da Silva, 40 anos, vê a notificação como discriminação. “Não estamos questionando o direito da Prefeitura, mas não é só chegar lá e notificar, botar a polícia para tirar, porque nós não somos bandidos, se fizer isto, são mais oito pessoas desempregadas. Já que a rodoviária está passando por uma reforma, que ajeitasse um canto para a gente. Se formos apenas retirados serão mais oito pessoas desempregadas, não acho justo, estamos lá pelejando, desde 92 comecei a trabalhar naquela região. Primeiro a igreja, depois minha família e a minha terceira paixão minha é a rodoviária. É o sustento da minha família e até ajudo no social com minha renda, faço evento com sorvete para as pessoas”, disse Silva.
Já o ambulante Inácio Bispo da Silva Santos, 54 anos, que vende as redes de tecido, quer uma solução pacífica com a Prefeitura. “Não quero atrapalhar ninguém, eu quero só que arrumem um local para eu trabalhar que seja na rodoviária, temos espaço lá, está reformando e ficando bonito, só quero um local pequeninho para eu cuidar da minha família. A Prefeitura tem o direito de organizar, mas que resolva deixando a gente lá”, argumentou Santos.
